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Como Funciona o Fornecimento de Água para Combate a Incêndio no Brasil e nos EUA.

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura
Como Funciona o Fornecimento de Água para Combate a Incêndio no Brasil e nos EUA

Olá pessoal, sejam bem-vindos a mais um artigo do nosso blog. Hoje, vamos explorar as principais diferenças entre o abastecimento de água para combate a incêndios no Brasil e nos Estados Unidos. Como tenho trabalhado com projetos de proteção contra incêndio em Orlando, na Flórida, e possuo décadas de experiência no Corpo de Bombeiros de São Paulo, pude vivenciar de perto essas distinções.

A Base Legal e Normativa

No Brasil, utilizamos as NBRs elaboradas pela ABNT e as instruções técnicas dos Corpos de Bombeiros. Para que essas normas de proteção se tornem obrigatórias em um estado ou município, é necessária a publicação de um decreto estadual.

Já nos Estados Unidos, a base técnica é formada pelo International Building Code (IBC) e pelo International Fire Code (IFC), que referenciam os códigos da National Fire Protection Association (NFPA). A NFPA é a entidade que regula como os sistemas de proteção, como chuveiros automáticos e hidrantes, devem ser instalados. Assim como no Brasil, para que essas normas sejam exigidas localmente, o estado, condado ou município precisa editar uma lei que obrigue o cumprimento do IBC e do IFC.

O Fornecimento de Água: A Grande Diferença

A maior diferença que observamos está na forma como a água é fornecida. Aqui nos Estados Unidos, a maior parte dos casos aproveita a pressão e a vazão do próprio fornecimento público de água de forma direta. Existe uma conexão própria para o sistema de combate a incêndio, equipada com duas válvulas de retenção conhecidas como backflow prevention. Esse mecanismo é fundamental para evitar que a água que ficou parada por anos na tubulação privada de incêndio retorne e contamine a rede pública, já que essa mesma água é consumida pela população no dia a dia. Por conta dessa eficiência de usar a rede pública, é muito raro encontrarmos reserva de água e bomba de incêndio em edificações americanas.

No Brasil, o cenário é oposto. Nós não utilizamos o fornecimento de água pública de forma direta para o combate imediato. A água da rede pública é depositada em uma reserva de incêndio e, durante uma emergência, é bombeada para atender os sistemas de hidrantes e de chuveiros automáticos.

Como Funciona o Projeto nos EUA

Quando iniciamos um projeto de alteração de um local nos EUA, vamos até a edificação e realizamos um teste de fluxo real utilizando equipamentos para medir a vazão e a pressão da água exatas daquele momento. Com esses dados em mãos, fazemos os cálculos hidráulicos para verificar se a demanda dos sistemas de chuveiros automáticos e hidrantes será atendida. Mesmo quando a edificação não exige um sistema de hidrante privado, acrescentamos uma vazão extra no cálculo, pois o Corpo de Bombeiros utilizará parte dessa água pública para reabastecer suas viaturas. Se a pressão não for suficiente, podemos instalar uma bomba, lembrando que bombas ligadas em série com a rede do município conseguem aumentar apenas a pressão e não a vazão da água.

Manutenção e Fiscalização

Outro ponto crucial é a inspeção, teste e manutenção dos sistemas. Nos Estados Unidos, a NFPA regula rigorosamente como a manutenção deve ser feita, e o Corpo de Bombeiros fiscaliza as edificações regularmente. Se os bombeiros descobrirem que o risco do local mudou, como o armazenamento não previsto de plásticos ou a instalação de novos porta-paletes abertos, a empresa é multada e notificada para resolver a pendência em um prazo curto.

Infelizmente, no Brasil, ainda não existe uma norma nacional que regule a manutenção dos sistemas de proteção contra incêndio. Em meus quase 30 anos de atuação no Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, vi diversas vezes equipamentos que haviam sido aprovados na instalação falharem no momento de um incêndio real por falta de cuidados e manutenção ao longo do tempo.

Conclusão

Essa minha vivência atual como engenheiro de proteção contra incêndios nos EUA tem sido muito enriquecedora. Estudar e atuar aqui me permite ter uma visão mais ampla, entender melhor a origem da legislação brasileira, que em grande parte foi traduzida das normas americanas, e até identificar alguns erros de adaptação que cometemos no passado ao desenvolver as nossas regras. Todo esse conhecimento continuará sendo compartilhado com meus alunos no Brasil.

Muito obrigado pela leitura e nos vemos no próximo artigo.


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