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O Segredo para Evitar Problemas no seu Projeto de Sprinklers: A Importância da Coleta de Informações!

  • 19 de abr.
  • 3 min de leitura

O Segredo para Evitar Problemas no seu Projeto de Sprinklers: A Importância da Coleta de Informações

Se você trabalha com projetos de proteção contra incêndio, sabe que o projeto de chuveiros automáticos (sprinklers) é extremamente personalizado para cada edificação. Não existe a possibilidade de simplesmente pegar o projeto de um prédio e aplicá-lo em outro. No entanto, o maior erro que os profissionais cometem é iniciar o desenvolvimento do projeto tirando conclusões precipitadas e sem coletar as informações corretas com o proprietário do imóvel.

Para resolver esse problema de comunicação e levantamento de dados, a norma americana NFPA 13 utiliza um documento fundamental chamado OIC (Owner's Information Certificate, ou Certificado de Informações do Proprietário).

O que é o OIC e por que você precisa de um?

Nos Estados Unidos, o OIC é um documento oficial assinado pelo proprietário que faz parte do pacote entregue ao Corpo de Bombeiros para a análise do projeto. No Brasil, os Corpos de Bombeiros possuem exigências parecidas, como o Memorial Industrial, mas o OIC é muito mais abrangente e detalhado na coleta de dados.

Ele serve para mapear minuciosamente os dados e os riscos da edificação. Diferente de sistemas como hidrantes, extintores e saídas de emergência, que podem ter uma classificação de risco geral para o prédio todo, os chuveiros automáticos exigem que você saiba a classificação de risco ambiente por ambiente.

Riscos Múltiplos no Mesmo Prédio

É muito difícil uma edificação possuir apenas um nível de risco (leve, ordinário ou extraordinário). Em um hotel, por exemplo, você pode ter o salão do restaurante onde o público se alimenta, a área de serviço, a recepção, os quartos e um auditório com palco. Todos esses ambientes podem possuir classificações de risco diferentes para a aplicação do sistema de sprinklers, mesmo que em alguns casos não haja sequer separação física entre as áreas.

Atenção aos Riscos Especiais e de Armazenamento

Outro ponto crítico é o armazenamento. Mesmo em edificações que não são centros de distribuição ou armazéns (como um hotel ou um supermercado), podem existir áreas de depósito. É crucial saber exatamente o que está guardado ali, como plásticos, espumas ou pneus. É necessário entender como é o armazenamento, qual a altura e se os produtos estão em paletes de madeira ou de plástico. Também importa saber se os produtos estão encapsulados ou em caixas de papelão, e com quantas camadas. Por fim, é essencial questionar se existem líquidos inflamáveis ou aerossóis.

Muitos supermercados, por exemplo, possuem estoques de aerossóis (que usam gases inflamáveis como propelentes) que, se ultrapassarem uma pequena quantidade permitida, exigem proteção específica. A presença de líquidos inflamáveis também muda totalmente o projeto, podendo exigir contenção de vazamentos e a aplicação de outras normas e códigos. Outros riscos especiais que requerem atenção redobrada incluem laboratórios, terminais de passageiros, incineradores de lixo e até torres de resfriamento feitas de fibra, que surpreendentemente podem sofrer com incêndios e muitas vezes necessitam de proteção por sprinklers.

De quem é a responsabilidade?

O preenchimento do documento com essas informações é responsabilidade do proprietário, mas o engenheiro ou projetista deve auxiliá-lo ativamente, pois o cliente leigo geralmente não compreende termos técnicos como produto encapsulado. Além disso, se você desconfiar que as informações fornecidas não correspondem à realidade, é vital ir a campo fazer a checagem.

Lembre-se de que a responsabilidade de identificar corretamente o risco é do projetista responsável pelo projeto, e não do Corpo de Bombeiros, que em um primeiro momento apenas analisa os dados que você apresenta a eles.

Evite Perder Tempo e Dinheiro

Omitir essas informações cruciais no início do projeto resulta em problemas futuros. Durante a vistoria, o Corpo de Bombeiros pode identificar produtos armazenados que não condizem com o projeto aprovado. Se você iniciar o trabalho com a norma errada (como esquecer a NFPA 30B para a fabricação de aerossóis) ou classificar o risco de forma incorreta, você terá que refazer o trabalho, alterando vazão e densidade dos bicos, o que gera uma grande perda de tempo e dinheiro.

A estratégia ideal é fazer apenas perguntas básicas durante a fase de orçamento para entender quais normas serão utilizadas. Mas, assim que o negócio for fechado, exija o preenchimento de um questionário formal com todos os detalhes.

Você pode acessar a NFPA 13 de forma gratuita e legal, pegar o modelo de OIC disponível na norma e traduzi-lo e adaptá-lo para a sua utilização diária nos projetos no Brasil. Ter esse formulário formalizado obriga o cliente a se explicar sobre o uso da edificação e protege o seu trabalho de alterações drásticas no futuro.



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